Indiana Dias e a Travessia do Saco das Bananas

_MG_9551Nesse final de semana fiz a primeira travessia do ano, partindo de Ubatuba para Caraguatatuba, a Travessia do Saco das Bananas. É uma pequena enseada (fui buscar a definição de saco no dicionário) onde já houve uma próspera plantação de bananas. Ainda pode-se ver muitos pés da fruta, mas seja por doença ou por ser agora uma área de proteção ambiental, o negócio já perdeu bastante de sua importância. O lugar também poderia se chamar Saco das Jacas, dada a quantidade de jaqueiras pela trilha.

_MG_9556O caminho mais comum é partir de Ponta Aguda, já colado em Caraguatatuba, e ir em direção de Caçandoca, passando pelo tal Saco das Bananas, mas fizemos o sentido contrário. Devido ao tempo úmido a trilha estava escorregadia e era mais seguro inverter a travessia. A idéia era fazer pouco mais da metade da trilha no sábado, acampar no Simão e partir no domingo para Ponta Aguda. No final fizemos todo o caminho em um dia, também pensando na segurança quase chovesse forte à noite, o que realmente ocorreu. Não é uma trilha dura e dá para fazer bate e volta, sem mochila cargueira. Na verdade o padrão é fazer direto, pois poucos guias têm permissão para levantar acampamento no local.

_MG_9650Em Caçandoca encontramos dois cachorros de uma morador local que nos seguiram o caminho inteiro. O cara tentou amarrar os cães, mas foi só soltá-los para começarem a nos acompanhar. Eles tinham um senso de proteção muito interessante, pois paravam no meio da trilha e vigiavam nossa passagem. Depois que um certo número de pessoas passava, um deles, o macho, começava a caminhar junto. A fêmea acompanhava o pessoal de trás. Se em determinado momento todos se juntavam, automaticamente o macho montava a vigia e esperava parte das pessoas passarem novamente para começar a acompanhar. O macho ainda ganhou um tratamento anti-carrapatos no final, tirados com pinça, e pareceu gostar muito.

_MG_9576O caminho é em mata atlântica, misturada com algumas plantações da época anterior à área de proteção ambiental ser instituída. A trilha não é muito larga, mas em alguns momentos vira uma estrada rural. As praias são belíssimas e desertas pois não é fácil chegar até elas. Se não for por trilhas precisa pegar um barco e com isso pudemos nos divertir sossegados, sem muvuca.

_MG_9603Em Ponta Aguda há uma área de camping com alguns casarões abandonados (decidimos dormir todos em um deles) e até um  bar. Como não levei água para toda a travessia, esperava acampar na metade, tive que reduzir o consumo. Na verdade a preguiça bateu porque estava com camelbak e não queria tirar da mochila. Foi um erro. No final da travessia bebi uma cerveja para comemorar e uma hora depois estava com uma enxaqueca de ver estrelas. Era efeito da desidratação. Por sorte Mayra tinha analgésico e me ajudou a dar uma relaxada até a dor passar. Foi mais uma lição sobre hidratação, depois de ter passado aperto na Chapada do Guimarães. Tivemos oportunidade de visitar as ruínas de uma senzala gigantesca, pois a região foi um entreposto de escravos. Eles era trazidos de navio e ficam disponíveis para serem comercializados.

_MG_9571É uma travessia bacana que pode até ser a primeira, pois a maioria das pessoas fará em um dia com mochila de ataque. Dá para sentir se gosta da coisa e partir para mais longas. E, claro, conhecer umas praias maravilhosas do nossos litoral.


2 Comentários para: “Indiana Dias e a Travessia do Saco das Bananas

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